A cidade surpreendente

Planejar o roteiro de uma viagem é sensacional, mas deixar a cidade te surpreender e te guiar pelo caminho (ainda que isso altere seus planos iniciais) é melhor ainda.


A vida em Buenos Aires não começa antes das 8h da manhã, mas às 9h, logo após tomarmos um cappuccino com pãezinhos no café em frente ao apart hotel, já pudemos sentir o ritmo movimentado e ao mesmo tempo tranquilo da cidade. Suas avenidas amplas e arquitetura conservada ao longo dos anos deve contribuir, de alguma forma, para esse sentimento de fluidez, apesar da agitação da capital. E caminhar por ela é uma delícia! Fomos novamente do bairro Recoleta até o Centro à pé, agora já acostumados com o trajeto.

Sem título
A música da Rua Florida

Na badalação da Rua Florida, uma rua charmosa só de pedestres,  lojas, bancas de flores e jornais, cafés e casas de câmbio (além de cambistas do mercado paralelo a cada dois passos que você dá), cogitamos pegar um ônibus de turismo para ir até o bairro La Boca, onde fica a ainda mais charmosa Rua Caminito (e também o estádio La Bombonera, do Clube Atlético Boca Júniors). Uma fila de turistas sem fim esperava ao sol, abanando-se com seus mapas e chapéus, para comprar o ticket e embarcar nos ônibus, e logo decidimos fugir daquele caos. Acenamos para um táxi (sim, simples como nos filmes de Nova Iorque), e ele nos levou até nosso destino. Ir a pé ou de transporte público àquela região era expressamente desaconselhável.

Eu diria também que fugir do caos e do burburinho de turistas sempre rende experiências incomparáveis.

Cartão Postal do Caminito (e o Maradona ali atrás) :D
Cartão Postal do Caminito (e o Maradona ali atrás) 😀

O Caminito, um apinhado de casinhas/ restaurantes/ lojinhas coloridas é uma obra de arte à céu aberto. Nada mais fiel à sua história, pois foi um grupo de moradores do bairro, entre eles o pintor Boca Quinquela, que restaurou a região por onde passara, um dia, uma linha de trem atualmente desativada. Ali, atualmente, você encontra tango, arte, comida, souvenires e o sósia do Maradona. Tirar uma foto com ele ou com os dançarinos de tango exige que você meta a mão no bolso, por isso, eu diria pra você controlar sua empolgação, a menos que você realmente queira uma foto dessas na sua estante (ou no seu Instagram).

Eu diria também que fugir do caos e do burburinho de turistas sempre rende experiências incomparáveis. Decidimos almoçar em um restaurante há 1 quarteirão de distância do Caminito, pela indicação de um rapaz alto, argentino, e filho da dona do restaurante. Confesso que seguí-lo até o local que ele indicava nos exigiu uma dose de confiança, pois tínhamos em mente que aquela região era um pouco perigosa. Mas estávamos com outros 3 brasileiros que conhecemos pelo caminho, então nos sentimos (de alguma forma) em segurança – talvez porque encontrar brasileiros no exterior nos dá a sensação de “tá tudo bem, estamos em casa”. Além disso, nosso instinto aventureiro nos dizia que poderíamos confiar no rapaz, e que valeria a pena.

Tudo é cor no Caminito

E valeu, muito! Almoço delicioso em um restaurante pequeno e familiar, tipo a sala de uma casa. Sem barulho, sem turistas, com um cardápio totalmente típico do país num precinho justo, e com a própia dona do restaurante preparando os pratos. Minha pedida foi o tradicional Bife de Chorizo con papas fritas, mas as entradinhas com Chimichurri (temperinho de ervas e pimentas) me ganharam de cara! Depois de felizes e satisfeitos, de barriga cheia, visitamos o estádio La Bombonera, e, para quem gosta de futebol (como o meu digníssimo), vale a pena pagar a entrada. Pra quem não sabe nem o que é Boca Júniors direito (como euzinha), uma foto do lado de fora já seria suficiente.

Fugindo do óbvio e apreciando um bom almuerzo.
Fugindo do óbvio e apreciando um bom almuerzo.

Além disso, nosso instinto aventureiro nos dizia que poderíamos confiar no rapaz, e que valeria a pena.

Nos despedimos do bairro e seguimos de táxi para a Recoleta. Descemos no Museu de Arte Latino-americana (Malba) e fizemos à pé todo o trajeto entre algumas coisas legais de conhecer: o próprio museu, o monumento Floralis Generica (a famosa flor de aço que se abre e se fecha de acordo com o nascer e o pôr-do-sol), a faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires (uma bela surpresa arquitetônica pelo caminho), o cemitério da Recoleta (considerado outro museu a céu aberto, onde existe o quase escondido túmulo de Evita Perón e outras personalidades), e as famosas empanadas do restaurante Sanjuanino.

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Existe muito amor no Museu ❤

Saldo do dia – positivo! Uma Buenos Aires linda, charmosa e surpreendente se revelou no nosso segundo dia na cidade. E ainda tinham mais 4 dias pra se apaixonar pela frente.

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